Ontem:
o poeta encontrava-se a meio caminho
das planícies venusianas e os cumes apocalípticos...
Hoje: a poesia cravou um punhal no peito do poeta
E ele não sustenta mais na mão os traços elípticos
que apenas o sentimento macerado acoberta.
O
poeta transformou sua vida em sentimento
Escorridos de uma caneta forjada no tempo...
Codificou o mundo na linguagem das odes e vates
E ficou apenas ele no mundo dos embates.
E
a musa? Defende ou acusa?
Não
há resposta , não há!
Açoitado pelas ondas dos dias turbulentos,
cantando odes de louvor ao vento...
vivendo da saudade e dos desejos
sonhando com o inverossímel
ao ardor dos infindos e doces beijos
que jamais foram dados: quedados...
Tenho
largado meus olhares
por inúmeros vastos lugares
pra me encontrar em outro ser...
Ouvi
o clamor dos aflitos
E um anjo abafando os gritos
E eu nem sei mais o que dizer.
E
o poeta?... andarilho das palavras
Cala-se senão te agravas
Agrava-te pra não se calar...
Triste sina, no fim da página
enfim, passa a caneta e assina