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APRESENTAÇÃO
Tudo
começou como uma
brincadeira, um sonho tornou-se
objetivo de vida. Os meus golpes
não foram nada incertos
de modo a golpear o ar, antes
os direcionei a este produto
final,
ou melhor, inicial.
Surgiram muitas pedras ao longo
do caminho, dez anos de persistência.
Espero que os críticos sejam generosos e entendam que se trata de um
trabalho simples, e independente. Afinal, como escreveu o “Poeta”,
só tive coragem de expressar minha ‘culta ignorância e não
me omitir como os poetas cultos e ocultos.’
Obrigada a todos.
Verônica
Alves dos Reis
Registro nº 224.559
Cipó 05/05/01 |
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“Aprendi
com as prima-veras a deixar-me
cortar e voltar sempre inteira.”
Cecília
Meireles.
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| Rosas vermelhas
Quão lindas são
!
Imponentes, ativas,
Inconfundíveis.
Quem não as admira?
Aspiram vida
Inspiram imortalidade.
Quando morrer,
Quero muitas rosas vermelhas
Lembranças das paixões
Dos amores que não pude
ter.
Sonhos nunca realizados.
Amigos deixados,
Afirmação de persistência.
Luta inglória
Vitória.
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Soneto
de Oração
Sabem
o que é pior nisso
tudo?
O próximo permanecer
mudo
Alheio e surdo
As
portas fechadas
Não saber por onde ir
As forças estão
armadas
Prontas para cair.
Com
lágrimas
nos olhos
Instrumentos nas mãos
Escrevo um soneto de oração.
Sem saber o que fazer
Com tanta interrupção
Confesso a você
Falta inspiração. |
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Desejo
Desejo parir um filho
Que se alimente com prosopopéias
E sonhos
Com o cérebro enervado em metáforas
E no interior de suas veias corra
Doce liquido de magia
E no seu coração
pulse
Belos versos de uma poesia.
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Soneto
de Esperança
Não
somos perfeitos
Nem santos
Queremos ser justos.
Sentimos tantas dores
Culpa dos espinhos das flores
Da pintura sem cores
E falta de amores.
A
esperança que move moinhos
Tira filhotes dos ninhos
Alimenta menininhos.
O tempo passa embalado
Num sonho acordado
De coração atado
Por um ser amado.
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Novidade
Aquilo que veio a ser
É o que virá a ser.
E o que se tem feito
É o se fará.
Não há nada
de novo.
O
amor está nos corações
O ódio em todas as nações
O
sonhador vive de ilusões
O argucioso tem suas razões e
O
tempo é circular a
gerações.
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Anjo
Gostaria que fosse meu
Amigo
Irmão
Pai
Companheiro
Ouvinte
Conselheiro
Amante
Cônjuge
Senhor.
Gostaria de ser sua
Amiga
Irmã
Mãe
Companheira
Ouvinte
Conselheira
Amante
Cônjuge
Senhora.
Mas
não
havendo reciprocidade
Que sejas meu anjo protetor,
Serei apenas objeto de proteção.
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Descoberta
O tempo é ligeiro
A imaginação
fértil
A noite clara
O dia escuro
A
vista está encoberta
O sonho senil
A vontade interrompida
A vida cara
O fel doce
O mundo amargo.
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Uma
Planta no Rochedo
Sou uma planta no rochedo
Aquela que nasce entre pedras
E tem flores azuis.
Todos passam e observam ao seu
redor
Mas a planta não é notada.
Cresce de teimosa
Está ali por atrevimento
Vem a chuva
O sol
E o vento
Fazem-na perder as folhas
Flores e galhos
Mas a raiz renascer
E a planta continua
Forte
Frágil
Teimosa
Atrevida
Invisível. |
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Labirinto
O que fazer para descobrir o mistério
dos seus olhos.
Percorrer o seu corpo labirinto,
Chegar ao coração.
Me aninhar em seu colo,
Ouvir o sussurro da sua voz a provocar
arrepios.
Sentir
o seu beijo me tirar do chão,
Dos seus braços receber
a máxima intensa proteção.
O que mais poderia querer?
Só falta você! |
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Instante
Passam os anos
As forças enfraquecem
Os sonhos envelhecem.
A vida corre
Com variados sabores
Ora angustias e dores
Ora alegrias e amores.
Olhos ao horizonte
Passos à frente.
Verdades às
escondidas
Aparência às claras
Amor distante
Amigo errante.
Palavras silenciosas
Lição aprendida
A espera acaba
Na hora devida. |
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Procura
Sinto-me
sem chão
Sem apoio
Sem esperança.
Olho
para os lados não
vejo as colunas,
Olho para frente vejo um vazio
À s minhas costas um passado promissor.
Recebo um presente embrulhado
em papel jornal
Amarrado com fita de nylon verde.
Perco-me ao procurar as colunas.
Ao norte
Um horizonte longínquo
Ao sul
Sonhos esquecidos.
Não há nada além
da tua lembrança
E um presente passado em papel
jornal. |
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Desabafo
Vi hoje o descaso
e a falta de memória dos
meus
Mas fácil ser lembrada pelos
seus.
Prometo se um dia ascender
Não tornarei publico que
venho de você.
Terra ingrata!
Em pouco tempo me esqueceu
Seja feita sua vontade
Não sou mais filho seu.
Se o tempo me falar que você se
arrependeu
Talvez interesse saber
Seu filho morreu.
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Breve
Recordação
Primeiro sonho
um pesadelo
Primeiro beijo
de traição
Primeiro desejo
sufocado
Primeiro namorado
(um armário embutido)
Primeiro amor
um amigo
Primeiro confidente
o coração
Primeiro segredo
derramado
Primeiro amigo
verdadeiro
Primeiro orgasmo
escrever
Primeira intenção
a segunda
O último engano
você.
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Realidade
Distorcida
A realidade distorcida
Pede um prato de comida
Dorme no banco da praça
Com uma imagem sem graça
Alguém passa.
O seu dia é limpar o retrovisor
Do senhor e da senhora
Oferecendo chiclete
Cheirando cola
Batendo carteira
Pedindo esmola.
Parecem crianças sem esperança
Com medo da sorte
Sem nada temer fazendo o que pode
Para sobreviver.
Realidade distorcida
Variados pratos de comida
Sono tranqüilo
Com uma imagem amarela
Das orquídeas na janela.
Café reforçado
Trânsito infernal
Almoço de negócios
Presentes de natal.
Lados
opostos de uma nação
Gente que tem
Gente que não
Será que temos solução?
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Conclusão
Parece-me
notório o prazer
dominador
Exercido pelos homens
Foi assim com
Os índios
Os negros
Os judeus.
Nada mudou!
O sangue
Continua vermelho
O céu permanece azul
E a morte
Acaba com as diferenças
Por igualar todos numa mesma condição
de insignificância.
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Tempos
Críticos
A sociedade é vitima de
uma grande crise,
Os valores decaíram,
Os princípios se perderam.
A “liberdade” é genitora
de filhos abandonados,
Responsável por mães
infantis,
Faíscas em tochas humanas.
O “modernismo” excluiu
a palavra limite do uso prático.
Estamos em tempos críticos,
difíceis de manejar,
Andando com passos largos para
o pós-modernismo numa
deformação contínua.
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“Poesia é a
voz dos sentimentos mais profundos
do ser humano.”
Octávio
Paz.
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Verônica
Alves dos Reis
02/05/2007
verletras@hotmail.com
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