NARRADOR:
Senhoras e senhores,
Peço a vossa atenção
E escute com carinho
Esta minha narração.
Na
década de quarenta,
O ano não lembro bem,
Pras bandas da Paraíba,
Tinha outro Pombal também.
Homônima
da nossa terra,
Pois Pombal era também
Começou a confundir
Provocando vai e vem.
Façamos muito silêncio,
E ouçamos com atenção
A saga de Fugêncio
Chegando ao nosso Sertão.
FUGÊNCIO:
Valei-me Nossa Senhora!
Valei-me Santa Luzia!
Eu Ia pra Paraíba
Vim parar aqui na Bahia.
PADRE:
Com licença meu amigo,
Desejo me apresentar,
Sou o Padre Epifânio
Vigário desse lugar.
FUGÊNCIO:
Pois bem senhor vigário,
Fugêncio é minha graça,
Vê se pode me ajudar
A sair dessa desgraça.
PADRE:
Não se apoquente meu filho,
Pois isso é muito normal,
Afinal essa terrinha
Também se chama Pombal.
FUGÊNCIO:
Ô
vigário meu amigo,
Me socorra por favor
Estou todo perdidinho
Já não sei pra onde vou.
PADRE:
Não se preocupe rapaz,
Que essa terra boa é
Em se plantando tudo dá
Aqui mana leite e mé.
CARTEIRO:
Peço licença aos senhores,
Pela minha intromissão
O meu nome é Zé Raimundo,
Carteiro da região.
FUGÊNCIO:
Seu carteiro me ajude,
Me socorra por favor,
Me envie com suas malas,
Pra perto do meu amor.
CARTEIRO:
Você não é o primeiro
Que cometeu esse engano,
Aqui chegam varias cartas
Enviadas por engano.
FUGÊNCIO:
Eu partir lá de São Paulo
O dia não lembro mais,
Percorri tantas estradas
Que quase não chego mais.
Pensava que estava em casa
Quando a marinete parou
Mas para minha surpresa
Em outro Pombal chegou.
CARTEIRO:
Meu amigo não lhe conto,
O quanto já recebi
De cartas de outras bandas,
Que vieram parar aqui.
FUGÊNCIO:
O fato é que estou
De casamento marcado
Se eu não chegar logo,
Vai tá tudo terminado.
CAROLINA:
Com licença meus senhores,
Desculpe a intromissão,
É
que eu também fui vítima
Dessa grande confusão.
FUGÊNCIO:
Não me diga Sinhá Moça,
Que você não é daqui
Que vieste por engano
Pras terras dos Kiriris.
CAROLINA:
Eu me chamo Carolina,
Filha de Seu Manoel,
Dono de canavial
Que fabrica muito mel.
O
meu caso é mais grave,
E porque não dizer trágico
Pois conheci um rapaz,
E foi um momento mágico.
ISABEL:
Eu me chamo Isabel
Amiga dessa donzela
Sou testemunha de tudo
Que passou na vida dela.
CAROLINA:
O meu amor precisou
Para o Sul viajar,
E comigo combinou
De por carta namorar.
Esperei as suas cartas
E o tempo foi passando,
Mas elas nunca chegaram,
E eu me desesperando.
ISABEL:
Aconselhei minha amiga,
Para outro arranjar
Pois do jeito que estava
Pro caritó ia ficar.
CAROLINA:
Desistir de esperar
E com outro me casei
Mesmo não gostando tanto
Como do outro gostei.
PADRE:
Foi uma festa bonita
Pra defeito ninguém botar
Só a noiva Carolina
Parecia não gostar.
ISABEL:
É que ela se casou
Com o Soldado Matias
Não podia escolher muito
Pra não ficar pra titia. CAROLINA:
Mas para minha tristeza
Depois do caso passado
Chegaram todas as cartas
Que meu príncipe tinha mandado.
CARTEIRO:
Todas elas tinham ido
Parar em outro lugar,
Foram pra outro Pombal
E não vieram pra cá.
SOLDADO:
Que confusão dos diabos,
Está acontecendo aqui,
Que falatório é esse
Que nem se pode dormir.
CAROLINA:
Deixe de tanto alvoroço,
Se acalme, meu amor,
É que estamos tentando
Ajudar esse senhor.
SOLDADO:
Minha gente me perdoe
Desculpe meus desaforos
Sou o Soldado Matias,
A disposição dos senhores.
PADRE:
Pois bem Soldado Matias,
Temos mais uma confusão,
Esse moço da Paraíba,
Veio parar aqui no Sertão.
SOLDADO:
Não me diga que você
Também vai se casar
Com uma paraibana
Natural lá de Pombal.
FUGÊNCIO:
Exatamente Amigo,
Filomena é o nome dela,
Já fez os preparativos,
Arrumou até a capela.
SOLDADO:
Mas não se desespere
Tudo vai se resolver
E dentro de poucos dias,
Seu grande amor iras ter.
CAROLINA:
Só espero que Filomena,
Não faça o que eu fiz,
Se apresse e case com outro
E se arrependa depois.
SOLDADO:
Quer dizer, então mulher
Que se arrepende de ter
Esse homem como esposo
E que tanto ama você.
CAROLINA:
Não é nada disso, amor
Não crie mais confusão,
Pois seu jeito sertanejo
Conquistou meu coração.
INTENDENTE:
Não pude deixar de ouvir
A conversa de vocês,
Sou o administrador daqui
Me chamo Juca Cortês.
FUGÊNCIO:
Vocês não acham que é hora
De tudo isso acabar,
Evitando mais transtornos
Que muitos hão de passar.
INTENDENTE:
Pois bem, meu bom amigo,
Que sugestão você dá
Pra resolver o problema
E o dilema acabar?
FUGÊNCIO:
É muito simples a proposta
Que agora faço a você,
Mude o nome da cidade
E tudo ira se resolver.
NARRADOR:
E por força de um decreto
A nossa terra natal
Passou a ser chamada
De Ribeira do Pombal.
Na verdade o seu nome
Devia ser preservado,
Afinal era mais velha
Que o outro povoado.
O Pombal da Paraíba
Mais novo que nosso Pombal,
Era quem devia mudar
O seu nome original.
Mas hoje o que interessa,
É o progresso aqui chegar,
Trazendo muito orgulho
Pros filhos desse lugar.
Parabéns Pombal querida,
Nossa terra abençoada
Todos te felicitamos
Pela idade alcançada.
São setenta e quatro anos (em
2007)
De historia e tradição,
Parabéns Cidade Linda,
Princesinha do Sertão.