Na periferia de um bosque exuberante,
vivia humilde lenhador que se contentava
em vender galhos secos, troncos de árvores
vencidas pelo tempo, sustentando-se
e à família com o deficiente
resultado desse esforço.
Certo dia orou a Deus, rogando ajuda, e o fez com todo empenho e unção.
Posteriormente, passou pela porta da choupana pobre, onde ele morava, um homem
santo que lhe propôs, bondoso:
- Entra nos bosque.
Na manhã seguinte, curioso com a sugestão recebida, o lenhador
adentrou-se no bosque, a princípio cauteloso, depois com entusiasmo ante
a beleza que defrontava, e encontrou uma deslumbrante reserva de árvores
de mogno.
Fascinado com a madeira nobre cortou alguns toros e, aajudado por vizinhos, vendeu-os,
mudando de condição econômica.
Lentamente organizou uma serraria e passou a utilizar as árvores preciosas,
enriquecendo-se.
Contava, então, quarenta anos.
Meditando em certa ocasião, recordou-se da proposta do sábio e
adentrou-se mais no bosque, descobrindo uma minade prata.
Tomado de felicidade incontida, registrou o achado, fazendo uso da jazida, sem
abandonar a madeireira.
Aumentou os resursos e construiu uma fortuna.
Aos cinqüenta anos, agradecendo a Deus, pareceu ouvir, na acústica
da alma, outra vez: entra no bosque.
Utilizando-se de veículo adequado, com auxiliares penetrou mais na floresta,
deparando um veio aurífero, que passou a explorar...
Rico e famoso, desfrutando dos bens amoedados e das comodidades mundanas, aos
setenta anos, enfrentava as exigências de muitos empresários e funcionários,
de fiscais e outras pessoas diletantes.
Refugiou-se no silêncio da mediatação e voltou a ouvir a
mesma orientação:entra no bosque. Desta vez, porém, ele
entrou nas paisagens de si mesmo - o bosque da existência - e encontrou
a paz, nunca mais ambicinando nada.