O
computador está hoje nos
aeroportos, sapatarias, farmácias,
bancos... em todos os setores da
sociedade, mas está ainda
incipiente nas escolas. Essa ferramenta
primordial dos dias atuais conquista espaço dia
após dia, justamente por ser flexível e dinâmica,
uma espécie de “canivete suíço”.
O
computador chega primeiro em todos os lugares para só depois
chegar à escola. Notamos um fato curioso, que
foi a presença de um computador portátil
sendo usado numa barraca de roupas na feira informal
de uma pequena
cidade do interior baiano, enquanto poucas escolas dessa
mesma cidade podiam contar com a presença de alguns
computadores.
A
educação pode e vai
absorver o computador como excelente
ferramenta de auxílio
no processo de ensino-aprendizagem. Digo “vai” porque
ainda não tomou o lugar que merece (e que é necessário)
na Educação.
Primeiro
temos que ter a ferramenta, isso é notório.
Hoje o custo para aquisição e manutenção
de um laboratório de informática na escola é relativamente
baixo.
Sabemos por experiência própria e pelas nossas
devidas observações no panorama educacional
brasileiro que para essa realidade mudar para melhor é necessário
que antes mesmo de adquirir computadores, as escolas devem
passar por fases indispensáveis como:
1-
Sensibilização (real sensibilização);
2- Capacitação (que deverá ser continuada
depois da implantação);
3- Criação de estratégias variadas;
4- Suporte técnico e pedagógico.
Só depois
de vencidas essas fases é que
o computador passará a
ser significante para auxiliar o ensino de todas as disciplinas,
melhor dizendo, de todas as habilidades
e capacidades desejadas nos educandos.
Estamos
aos poucos introduzindo os computadores
nas escolas, mas ainda não
sabemos muito bem o que fazer com ele. Toda ferramenta exige que
o operário
saiba manipulá-la, que aprenda técnicas especiais
para que possa executar bem a sua função, assim também é a
ferramenta computador.
É
necessário que o educador saiba primeiro manipulá-lo
bem, isso é apenas
o início, o mínimo que um profissional deve saber.
Além
de operá-lo, o educador aprenderá o que fazer com
ele, ou seja, aprender técnicas, meios eficientes para
que a ferramenta venha servir aos propósitos da Educação.
Podemos
afirmar sem sombra de dúvidas que as estratégias,
as técnicas e propostas pedagógicas são
mais importantes do que a presença do computador na
escola.
Estamos
aos poucos adquirindo computadores
enquanto ainda
engatinhamos a primeira fase. Entende-se que a sensibilização
dos profissionais da Educação não seja
restrita, mas que compreenda além dos professores, diretores,
coordenadores, secretários,
auxiliares...
Outra
realidade que nos afigura é o fato de alguns professores se mostrarem
receosos quanto ao uso do computador, alguns por insegurança no manuseio,
outros por notarem que o computador causa maior interesse nos alunos do que
sua prática de ensino, chegando a ter medo de ser substituído
pela máquina.
Realmente que o computador e bons programas educativos
numa prática
pedagógica acertada, permite resultados melhores
do que com a prática
instrucionista, do mestre que ensina e aluno que aprende.
Como disse José Manuel
Moran, o professor que não se integrar aos novos
rumos do mundo será mesmo
substituído, não pelo computador, mas por
outro professor mais preparado e apto a cumprir o que se
exige. Claro, isso está acontecendo
em todas as áreas da sociedade no mundo moderno.
Em
se tratando de educação instrucionista, prática
que mais se repente, convém salientar que há muito
começa a
se deparar com realidades opostas, por que o próprio
aluno está trazendo
para dentro da escola conhecimentos já comuns do
mundo, adquiridos nas “lan-houses” e
demais estabelecimentos que “incomodam” o professor,
pois este normalmente está vivendo desatrelado das
inovações e dos
modos novos de adquirir conhecimento.
O
computador tende a enriquecer os
modos de aprendizagens, contribuindo
para a ressignificância da Educação.
Nossos
colegas professores costumas se
dividir entre aqueles que possuem
uma visão negativa e otimista do computador
na escola. Os negativistas consideram que:
- Educação é um ato de amor, de sensibilidade,
tem a ver com a relação humana entre professores
e alunos. O computador é máquina fria e desaglutinadora
das relações humanas;
- Computador é coisa para poucos, as escolas nem
possuem o básico para sua manutenção.
Portanto estes têm visões e práticas
tradicionais de educação, fechando-se para
outros modos de ser e fazer.
O segundo grupo pode ser caracterizado
como otimista, pois defendem
o uso do computador em todos
os
seus vieses, pois
dizem:
- Toda escola que se preze deve
contar com o computador, pois
este estará em toda parte de vida humana;
- O computador estimula o aluno,
a presença desta
máquina permite que se tenha nova didática
no processo de aprendizagem.
- A escola deve ter uma disciplina
curricular “informática”,
para que desde cedo os alunos aprendam informática;
É
bom lembrar que a presença de computadores sem estratégias,
ações pedagógicas voltadas ao seu
uso, pouca ou nenhuma diferença fará em tal
escola, e que computadores e a própria informática
não devem ser usadas apenas para a aprendizagem
de informática, mas sim, em práticas
disciplinares individualmente
(todas elas), e principalmente
multidisciplinares
e interdisciplinares.
Enfim,
o computador na escola permite
e estimula uma aprendizagem
diferente,
pela interação
entre as partes: alunos, professores e objeto do conhecimento
andando num
mesmo caminho, o da própria Educação.
Isso por meio de ações reflexivas, participativas,
através da pesquisa e da manipulação
significativa de dados na construção do conhecimento.