27 Nov 2014 Quinta
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Local no site: Home Cordel Juscelino Miranda - Narrativa em cordel enfocando a mudança do nome da cidade de Ribeira do Pombal
Juscelino Miranda - Narrativa em cordel enfocando a mudança do nome da cidade de Ribeira do Pombal
Por Juscelino Miranda de Oliveira
Pedagogo, licenciado em Matemática e professor da rede pública estadual (Bahia)



Narrativa em cordel enfocando a mudança do nome da cidade de Ribeira do Pombal


NARRADOR:
Senhoras e senhores,
Peço a vossa atenção
E escute com carinho
Esta minha narração.

Na década de quarenta,
O ano não lembro bem,
Pras bandas da Paraíba,
Tinha outro Pombal também.

Homônima da nossa terra,
Pois Pombal era também
Começou a confundir
Provocando vai e vem.

Façamos muito silêncio,
E ouçamos com atenção
A saga de Fugêncio
Chegando ao nosso Sertão.

FUGÊNCIO:
Valei-me Nossa Senhora!
Valei-me Santa Luzia!
Eu Ia pra Paraíba
Vim parar aqui na Bahia.

PADRE:
Com licença meu amigo,
Desejo me apresentar,
Sou o Padre Epifânio
Vigário desse lugar.

FUGÊNCIO:
Pois bem senhor vigário,
Fugêncio é minha graça,
Vê se pode me ajudar
A sair dessa desgraça.

PADRE:
Não se apoquente meu filho,
Pois isso é muito normal,
Afinal essa terrinha
Também se chama Pombal.

FUGÊNCIO:
Ô vigário meu amigo,
Me socorra por favor
Estou todo perdidinho
Já não sei pra onde vou.

PADRE:
Não se preocupe rapaz,
Que essa terra boa é
Em se plantando tudo dá
Aqui mana leite e mé.

CARTEIRO:
Peço licença aos senhores,
Pela minha intromissão
O meu nome é Zé Raimundo,
Carteiro da região.

FUGÊNCIO:
Seu carteiro me ajude,
Me socorra por favor,
Me envie com suas malas,
Pra perto do meu amor.

CARTEIRO:
Você não é o primeiro
Que cometeu esse engano,
Aqui chegam varias cartas
Enviadas por engano.

FUGÊNCIO:
Eu partir lá de São Paulo
O dia não lembro mais,
Percorri tantas estradas
Que quase não chego mais.

Pensava que estava em casa
Quando a marinete parou
Mas para minha surpresa
Em outro Pombal chegou.

CARTEIRO:
Meu amigo não lhe conto,
O quanto já recebi
De cartas de outras bandas,
Que vieram parar aqui.

FUGÊNCIO:
O fato é que estou
De casamento marcado
Se eu não chegar logo,
Vai tá tudo terminado.

CAROLINA:
Com licença meus senhores,
Desculpe a intromissão,
É que eu também fui vítima
Dessa grande confusão.

FUGÊNCIO:
Não me diga Sinhá Moça,
Que você não é daqui
Que vieste por engano
Pras terras dos Kiriris.

CAROLINA:
Eu me chamo Carolina,
Filha de Seu Manoel,
Dono de canavial
Que fabrica muito mel.

O meu caso é mais grave,
E porque não dizer trágico
Pois conheci um rapaz,
E foi um momento mágico.

ISABEL:
Eu me chamo Isabel
Amiga dessa donzela
Sou testemunha de tudo
Que passou na vida dela.

CAROLINA:
O meu amor precisou
Para o Sul viajar,
E comigo combinou
De por carta namorar.

Esperei as suas cartas
E o tempo foi passando,
Mas elas nunca chegaram,
E eu me desesperando.

ISABEL:
Aconselhei minha amiga,
Para outro arranjar
Pois do jeito que estava
Pro caritó ia ficar.

CAROLINA:
Desistir de esperar
E com outro me casei
Mesmo não gostando tanto
Como do outro gostei.

PADRE:
Foi uma festa bonita
Pra defeito ninguém botar
Só a noiva Carolina
Parecia não gostar.


ISABEL:
É que ela se casou
Com o Soldado Matias
Não podia escolher muito
Pra não ficar pra titia.
CAROLINA:
Mas para minha tristeza
Depois do caso passado
Chegaram todas as cartas
Que meu príncipe tinha mandado.

CARTEIRO:
Todas elas tinham ido
Parar em outro lugar,
Foram pra outro Pombal
E não vieram pra cá.

SOLDADO:
Que confusão dos diabos,
Está acontecendo aqui,
Que falatório é esse
Que nem se pode dormir.

CAROLINA:
Deixe de tanto alvoroço,
Se acalme, meu amor,
É que estamos tentando
Ajudar esse senhor.

SOLDADO:
Minha gente me perdoe
Desculpe meus desaforos
Sou o Soldado Matias,
A disposição dos senhores.

PADRE:
Pois bem Soldado Matias,
Temos mais uma confusão,
Esse moço da Paraíba,
Veio parar aqui no Sertão.


SOLDADO:
Não me diga que você
Também vai se casar
Com uma paraibana
Natural lá de Pombal.
FUGÊNCIO:
Exatamente Amigo,
Filomena é o nome dela,
Já fez os preparativos,
Arrumou até a capela.

SOLDADO:
Mas não se desespere
Tudo vai se resolver
E dentro de poucos dias,
Seu grande amor iras ter.

CAROLINA:
Só espero que Filomena,
Não faça o que eu fiz,
Se apresse e case com outro
E se arrependa depois.

SOLDADO:
Quer dizer, então mulher
Que se arrepende de ter
Esse homem como esposo
E que tanto ama você.

CAROLINA:
Não é nada disso, amor
Não crie mais confusão,
Pois seu jeito sertanejo
Conquistou meu coração.

INTENDENTE:
Não pude deixar de ouvir
A conversa de vocês,
Sou o administrador daqui
Me chamo Juca Cortês.


FUGÊNCIO:
Vocês não acham que é hora
De tudo isso acabar,
Evitando mais transtornos
Que muitos hão de passar.
INTENDENTE:
Pois bem, meu bom amigo,
Que sugestão você dá
Pra resolver o problema
E o dilema acabar?

FUGÊNCIO:
É muito simples a proposta
Que agora faço a você,
Mude o nome da cidade
E tudo ira se resolver.

NARRADOR:
E por força de um decreto
A nossa terra natal
Passou a ser chamada
De Ribeira do Pombal.

Na verdade o seu nome
Devia ser preservado,
Afinal era mais velha
Que o outro povoado.

O Pombal da Paraíba
Mais novo que nosso Pombal,
Era quem devia mudar
O seu nome original.

Mas hoje o que interessa,
É o progresso aqui chegar,
Trazendo muito orgulho
Pros filhos desse lugar.

Parabéns Pombal querida,
Nossa terra abençoada
Todos te felicitamos
Pela idade alcançada.

São setenta e quatro anos (em 2007)
De historia e tradição,
Parabéns Cidade Linda,
Princesinha do Sertão.

 

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