Por Juscelino Miranda de Oliveira 
Pedagogo, licenciado em Matemática e professor da rede pública estadual (Bahia)
Narrativa em cordel enfocando a mudança do nome da cidade de Ribeira do Pombal
NARRADOR: Senhoras e senhores, Peço a vossa atenção E escute com carinho Esta minha narração.
Na década de quarenta, O ano não lembro bem, Pras bandas da Paraíba, Tinha outro Pombal também.
Homônima da nossa terra, Pois Pombal era também Começou a confundir Provocando vai e vem.
Façamos muito silêncio, E ouçamos com atenção A saga de Fugêncio Chegando ao nosso Sertão.
FUGÊNCIO: Valei-me Nossa Senhora! Valei-me Santa Luzia! Eu Ia pra Paraíba Vim parar aqui na Bahia.
PADRE: Com licença meu amigo, Desejo me apresentar, Sou o Padre Epifânio Vigário desse lugar.
FUGÊNCIO: Pois bem senhor vigário, Fugêncio é minha graça, Vê se pode me ajudar A sair dessa desgraça.
PADRE: Não se apoquente meu filho, Pois isso é muito normal, Afinal essa terrinha Também se chama Pombal.
FUGÊNCIO: Ô vigário meu amigo, Me socorra por favor Estou todo perdidinho Já não sei pra onde vou.
PADRE: Não se preocupe rapaz, Que essa terra boa é Em se plantando tudo dá Aqui mana leite e mé.
CARTEIRO: Peço licença aos senhores, Pela minha intromissão O meu nome é Zé Raimundo, Carteiro da região.
FUGÊNCIO: Seu carteiro me ajude, Me socorra por favor, Me envie com suas malas, Pra perto do meu amor.
CARTEIRO: Você não é o primeiro Que cometeu esse engano, Aqui chegam varias cartas Enviadas por engano.
FUGÊNCIO: Eu partir lá de São Paulo O dia não lembro mais, Percorri tantas estradas Que quase não chego mais.
Pensava que estava em casa Quando a marinete parou Mas para minha surpresa Em outro Pombal chegou.
CARTEIRO: Meu amigo não lhe conto, O quanto já recebi De cartas de outras bandas, Que vieram parar aqui.
FUGÊNCIO: O fato é que estou De casamento marcado Se eu não chegar logo, Vai tá tudo terminado.
CAROLINA: Com licença meus senhores, Desculpe a intromissão, É que eu também fui vítima Dessa grande confusão.
FUGÊNCIO: Não me diga Sinhá Moça, Que você não é daqui Que vieste por engano Pras terras dos Kiriris.
CAROLINA: Eu me chamo Carolina, Filha de Seu Manoel, Dono de canavial Que fabrica muito mel.
O meu caso é mais grave, E porque não dizer trágico Pois conheci um rapaz, E foi um momento mágico.
ISABEL: Eu me chamo Isabel Amiga dessa donzela Sou testemunha de tudo Que passou na vida dela.
CAROLINA: O meu amor precisou Para o Sul viajar, E comigo combinou De por carta namorar.
Esperei as suas cartas E o tempo foi passando, Mas elas nunca chegaram, E eu me desesperando.
ISABEL: Aconselhei minha amiga, Para outro arranjar Pois do jeito que estava Pro caritó ia ficar.
CAROLINA: Desistir de esperar E com outro me casei Mesmo não gostando tanto Como do outro gostei.
PADRE: Foi uma festa bonita Pra defeito ninguém botar Só a noiva Carolina Parecia não gostar.
ISABEL: É que ela se casou Com o Soldado Matias Não podia escolher muito Pra não ficar pra titia. CAROLINA: Mas para minha tristeza Depois do caso passado Chegaram todas as cartas Que meu príncipe tinha mandado.
CARTEIRO: Todas elas tinham ido Parar em outro lugar, Foram pra outro Pombal E não vieram pra cá.
SOLDADO: Que confusão dos diabos, Está acontecendo aqui, Que falatório é esse Que nem se pode dormir.
CAROLINA: Deixe de tanto alvoroço, Se acalme, meu amor, É que estamos tentando Ajudar esse senhor.
SOLDADO: Minha gente me perdoe Desculpe meus desaforos Sou o Soldado Matias, A disposição dos senhores.
PADRE: Pois bem Soldado Matias, Temos mais uma confusão, Esse moço da Paraíba, Veio parar aqui no Sertão.
SOLDADO: Não me diga que você Também vai se casar Com uma paraibana Natural lá de Pombal. FUGÊNCIO: Exatamente Amigo, Filomena é o nome dela, Já fez os preparativos, Arrumou até a capela.
SOLDADO: Mas não se desespere Tudo vai se resolver E dentro de poucos dias, Seu grande amor iras ter.
CAROLINA: Só espero que Filomena, Não faça o que eu fiz, Se apresse e case com outro E se arrependa depois.
SOLDADO: Quer dizer, então mulher Que se arrepende de ter Esse homem como esposo E que tanto ama você.
CAROLINA: Não é nada disso, amor Não crie mais confusão, Pois seu jeito sertanejo Conquistou meu coração.
INTENDENTE: Não pude deixar de ouvir A conversa de vocês, Sou o administrador daqui Me chamo Juca Cortês.
FUGÊNCIO: Vocês não acham que é hora De tudo isso acabar, Evitando mais transtornos Que muitos hão de passar. INTENDENTE: Pois bem, meu bom amigo, Que sugestão você dá Pra resolver o problema E o dilema acabar?
FUGÊNCIO: É muito simples a proposta Que agora faço a você, Mude o nome da cidade E tudo ira se resolver.
NARRADOR: E por força de um decreto A nossa terra natal Passou a ser chamada De Ribeira do Pombal.
Na verdade o seu nome Devia ser preservado, Afinal era mais velha Que o outro povoado.
O Pombal da Paraíba Mais novo que nosso Pombal, Era quem devia mudar O seu nome original.
Mas hoje o que interessa, É o progresso aqui chegar, Trazendo muito orgulho Pros filhos desse lugar.
Parabéns Pombal querida, Nossa terra abençoada Todos te felicitamos Pela idade alcançada.
São setenta e quatro anos (em 2007) De historia e tradição, Parabéns Cidade Linda, Princesinha do Sertão.
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