08 Fev 2012 Quarta
  • Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Local no site: Home Artigos Songival Celestino - O blablabá da educação: discurso vazio
Songival Celestino - O blablabá da educação: discurso vazio

De: A. Moço, B. Santomauro e B. Vichessi

Síntese: Songival Celestino


O verdadeiro e grande papel da escola é proporcionar conhecimento, possibilitando ao educando atuar na sociedade. Tal atuação é impossível sem que ele saiba ler e escrever, além de vários (não todos, mas vários) conteúdos do currículo. Portanto, o discurso do educador se torna vazio quando coloca essa essência em segundo plano, usando jargões, como vem sendo feito ao longo dos últimos 20 a 30 anos, quando muitos professores e escritores brasileiros resolveram adotar as frases prontas da educação estadunidense de mais de meio século atrás!

Para não compactuarmos com essa falácia e, principalmente, para não transformarmos um ou outro professor, que não o faça, em nossa escola em “boi-de-piranha”, é importante que fiquemos atentos.

Aprender brincando não é a principal motivação para o estudo e sim uma das maneiras de auxiliar na aquisição da informação. Não esqueçamos que estudar é tão difícil quanto ensinar.

Levantar o conceito prévio não é perguntar aos alunos o que já sabem e sim propor atividades sobre um tema que norteie suas próximas intervenções.

Formar cidadãos não é transformar o objetivo da escola em ações sociais e de preservação ambiental, as pessoas se tornam conscientes quando, através dos conteúdos curriculares, prepara-se pessoas informadas e críticas, criativas de  verdade e capazes de avaliar sua condição socioeconômica, de dimensionar sua participação histórica e de atuar na sociedade e na economia.

Ter uma turma heterogênea não é comandar uma classe com pessoas que não aprendem por terem diferentes níveis de conhecimento, é possibilitar seus avanços com atividades inteligentes, problematizadoras e diversificadas.

Aumentar a auto-estima não deve ser a tessitura de elogios e premiações, nem atribuir dificuldade de aprendizagem a alunos de baixa renda, o que é ato equivocado e o pior, preconceituoso. Não se determina auto-estima pelo nível socioeconômico ou cultural. Beatriz Cardoso, do CEDAC, afirma: “O que leva a uma maior valorização pessoal é aprender”, então, professores, ensinem.

Fazer avaliação formativa não é registrar observações sobre a aprendizagem para classificar. É utilizar vários instrumentos avaliativos.

Trabalhar interdisciplinaridade não é cabível em todos os projetos propostos, só nos institucionais, enquanto que nos didáticos (de ensino) deve-se atribuir características específicas de cada conteúdo ou tema.

Partir do interesse dos alunos não significa que o aluno deva aprender o que tem vontade e sim o que é de maior relevância para aumentar o seu nível de conhecimento.

Desenvolver a criatividade não pode ser a permissão para o estudante realizar as atividades do jeito que ele preferir. É levá-lo a propor diferentes soluções para um problema, com base nas informações sobre um determinado tema.

Focar a realidade do aluno não o deixa no direito de basear-se só no saber trazido por eles para determinar o que lhes interessa aprender. Considera-se o que sabem e dali parte-se para a ampliação dos conhecimentos, apresentando-lhes novas idéias e conteúdos.

Tenho refletido a respeito do que ensinamos e como o fazemos, sobretudo nos últimos anos. Percebo as escolas enveredarem pelo mesmo caminho das famílias (muitas delas consideradas como “instituição falida”, para quem gosta dos jargões). Isso porque pratica-se a permissibilidade excessiva em vez de democracia como sistema organizacional. Lembrando que democracia jamais deve ser confundida como anarquia. A escola deve praticar o afeto, mas deve preparar o educando para uma sociedade que certamente não vai perdoá-lo se falhar. A busca por “um lugar ao sol” fora dos muros da escola é cada vez mais incessante e igualmente difícil de se alcançar e nós sabemos disso. Então seria uma prática docente hipócrita, se ensino ao meu aluno algo diferente daquilo que seria útil, de fato, para ele ser realmente um cidadão preparado para agir na vida. A sociedade tem caminhado num sentido e, paradoxalmente, a escola tem ido por outro. Meu aluno precisa de uma redoma ou de instruções para se proteger do capitalismo? Este pode ser selvagem sim, se formos presa fácil!

Devemos ter mais consciência de que paternalismo não é atribuir carinho e afeto, brincar a toda hora não é lecionar com prazer e deixar o nosso aluno se empolgar com avaliações extremamente fáceis ou notas igualmente elevadas não é prepará-lo para o futuro. Se exercermos tais práticas, incorreremos no erro de colocarmos o ensino numa situação mais clamorosa ainda, além de não estarmos educando e de estarmos incitando os estudantes a repudiarem (e até, por assim dizer, hostilizarem) os poucos professores que possam estar buscando realizar um trabalho mais comprometido.

Não quero propor, bem como os autores do texto original também não o querem, um ensino, nem tampouco uma educação ríspida, pois isso seria falho, como já foi outrora. Quero solicitar de todos os meus colegas de profissão, que têm compromisso e gostam do que fazem, que inovemos, renovemos, alegremos, discontraiamos, mas não sejamos inconseqüentes de perdermos o foco, logo, ensinemos, de fato!

Texto original publicado na revista Nova Escola, FVC: Abril.

 

Educação a Distância

Artigos
EAD - Vídeos

ArtEducação

Opinião

abed

Banner

Destaques

Soluções Web