Em
meio aos festejos da República, os ingleses (montados
nas costas dos brasileiros desde os tempos
joninos) deram outro bote: só reconheceriam
o novo regime brasileiro se o Governo
Militar assumisse a centenária
dívida do Império. (Yes,.
Yes, no problems!) e tome juros, comissões
e sufoco.
Com
a República, o país recebeu um pomposo nome (Estados Unidos
do Brasil), mudou de bandeira (com uma legenda positivista importada da França),
ganhou uma constituição copiada, separou a Igreja do Estado
e empossou um presidente militar.
Porém,
a esclerosada estrutura econômica
e social do país permaneceu
a mesma: grandes latifúndios,
economia voltada para a exportação
e riqueza nacional centralizada nas
mãos
de alguns.
O
povo, afastado das decisões
nacionais, continuou vivendo miseravelmente.
O
Pavilhão
Nacional - instituído por um decreto
de 19 de novembro (daí a data
comemorativa da bandeira) manteve as
mesmas cores da velha bandeira imperial,
desenhada (em 1822) por Jean Baptiste
Debret homenageando a Dinastia dos Braganças
(verde) e a Casa dos Habsburgos (de cor
amarela), à qual pertencia a
primeira consorte de D. Pedro I.
Estudos
astronômicos indicam erros no
pano pátrio e o lema ali contido
(importado da doutrina positivista
de Comte) não expressa as únicas
aspirações nacionais.
Por isso, a Igreja protestou e o Bispo
do Rio de Janeiro não benzeu
o maior símbolo da Pátria.
O
primeiro Presidente da República
e seu vice, ambos militares, foram
eleitos indiretamente pelo Congresso
Nacional. No seu governo, o marechal
Deodoro fechou o Congresso, decretou
estado de sítio e mandou prender
seus opositores. Pressionado renunciou.
Ao assumir, o vice Floriano Peixoto
não convocou novas eleições
como mandava a Constituição
Federal, completando, de forma ilegítima,
o mandato presidencial. Ao terminar
seu governo (em 1894), o marechal
não compareceu à posse
do sucessor civil. Assim começava
a nossa República!
Deodoro da Fonseca
Floriano Peixoto
Prudente de Morais
O
primeiro presidente civil do Brasil
foi Prudente de Morais (1894-1898),
fazendeiro
paulista. Com ele começava a República
Velha que iria até 1930. Nesse
período, a política interna
do país era voltada exclusivamente
para a classe social que sustentava o
poder: cafeicultores e latifundiários.
Com cerca de 5.200 casebres e aproximadamente
25 mil pessoas, Canudos era, depois
de
Salvador, a localidade mais povoada
da Bahia.
No
governo de Prudente de Morais, ocorreu
o extermínio de Canudos.
Fugindo da miséria e das injustiças
sociais, humildes sertanejos uniram-se
em torno do “beato” Antonio
Conselheiro e fundaram o Arraial de
Canudos, no sertão da Bahia.
Ali, uma legião de milhares
de pessoas ouvia e obedecia o rude
beato. Não compreendendo certas
mudanças republicanas, o pregador
criticava o novo regime, combatia o
casamento civil e repelia a cobrança
de impostos. Essa pregação
(considerada pró-monarquista),
a constante fuga de peões das
fazendas para o arraial e o enorme
poder do pregador sobre aquela multidão “representavam
um perigo” para os donos do poder.
Sentindo-se ameaçados, fazendeiros
de toda a região exigiram das
autoridades oficiais a destruição
do arraial.
Depois
de longas e sangrentas batalhas,
a comunidade inteira, incluindo
crianças, mulheres
e idosos, foi exterminada pelo Exército
Brasileiro. Em nome da Lei e da Ordem!