NOTAS:
1. Restrita a um pequeno círculo
da sociedade, a política era uma
das tantas atividades aristocráticas
que excluíam a quase totalidade
da população brasileira.
Para não falar no Parlamento,
onde só tinham assento os representantes
das classes dominantes, a própria
representatividade eleitoral era quase
nula: de uma população
de 8 milhões de pessoas em 1860,
apenas cerca de 80 mil (1% do total)
tinham direito a voto. Esse sistema,
com o qual concordavam “liberais” e “conservadores”,
foi a base sobre a qual se estruturou
o poder imperial (Saga, A Grande História
do Brasil, vol. 3, p. 194, Abril Cultural,
São Paulo, 1981).
2. “Nada mais conservador que
um liberal no poder. Nada mais liberal
que um conservador na oposição.” Esta
definição do escritor
Oliveira Viana cabe como uma luva nos
políticos da Regência
e do Segundo Reinado. Na maioria das
vezes suas desavenças, seus
debates acalorados no Parlamento eram
simples frutos do jogo político,
da luta pelo poder, sem qualquer conotação
ideológica (Saga, idem, p. 147).
3.
As diferenças entre o Partido
Liberal e o Partido Moderador eram
tão grandes que se costumava
dizer: “Um partido que sobe entrega
o programa de oposição
ao partido que desce e recebe deste
o programa do governo” (Idem,
p. 204).
4.
Na verdade, a política de
favores estendia-se a todos os níveis
da vida pública, dos conselheiros
e barões do Império aos
mais obscuros delegados e subdelegados
dos municípios. Nomeado por
interferência de algum político,
era a este, e não ao Estado,
que o funcionário devia lealdade.
Desse modo, quase não havia
controle sobre o emprego do dinheiro
público. Ao subir ao poder,
cada “partido” procurava
enconbrir seus atos desonestos mais
gritantes, havendo intervenção
do poder moderador somente quando a
corrupção administrativa
se tornava escandalosa (Idem, p. 200).
5.
Para a concessão de títulos
nobiliárquicos, quem eram os
escolhidos do Rei? Em sua maior parte,
a nobreza foi formada por pessoas relacionadas às
atividades econômicas produtivas
(fazendeiros); parlamentares, militares
e profissionais liberais. Em seguida,
vinham os ocupantes de cargos públicos
- incluindo os cargos da Casa Imperial
-, comerciantes e negociantes; por
fim, professores, intelectuais, os
chamados capitalistas, que viviam de
rendas; médicos, diplomatas,
banqueiros, sacerdores. (As Barbas
do Imperador, p. 173, Lilian Moritz
Schwarcz, Companhia Das Letras, São
Paulo, 1999).
FILMOGRAFIA:
Os fuzis, 1963. Direção:
Ruy Guerra.
Pequena cidade, interior da Bahia,
Nordeste. Soldados convocados, vindos
da capital, para impedir que retirantes
famintos tentem saquear o armazem.
Visão do coronelismo e da miséria
no nordeste brasileiro.
|