Na
política adotada pela República
Velha (conhecida por café-com-leite)
só dois Estados da Federação
tinham vez na Presidência da
República:
Ilustração
de Mollica
São Paulo
e Minas Gerais. O revezamento das oligarquias
agrárias
paulistas e mineiras no Poder Central
(elegendo quase todos os presidentes
da República até 1930)
era assegurada pela prática
do Coronelismo (voto de cabresto) e
pela Política dos Governadores
(aliança entre os poderosos
políticos estaduais e o Governo
Federal.
E
para completar o “esquema”,
no Congresso Nacional funcionava a Comissão
Verificadora com o objetivo de convalidar
ou não o resultado das eleições
nacionais. Assim, fechava-se o cerco
da política da República
Velha: numa ponta, os “Coronéis” fazendeiros;
na outra, os membros da “Comissão”.
O
carcomido sistema eleitoral do Império
pouco mudou na República Velha:
apenas o voto censitário (baseado
na renda) foi substituído
pelo voto masculino, deixando de
foras as mulheres, os menores de
21 anos, os analfabetos, os mendigos,
os religiosos (das ordens monásticas)
e os militares (com patentes inferiores
a oficiais). Em conseqüência,
calcula-se que somente 6% da população
brasileira votava. Além disso,
o voto continuava sendo aberto (não
secreto) possibilitando a identificação
e o controle de cada votante. Dessa
forma, o eleitor que não votasse
no “coronel” (no candidato
por ele indicado) poderia sofrer
todo tipo de perseguição.
O
voto imposto pelos “coronéis”contra
a vontade do eleitor ficou conhecido
como “voto de cabresto”.
Charge
de Claudius. Brasil
Vivo 2, de Marcus Vinício,
Chico Alencar e Claudius
Ceccon. Editora Vozes, 1996
Paralelamente
ao voto aberto (conhecido por voto de
cabestro, dado sob pressão), vários
mecanismos fraudulentos (todos do conhecimento
das autoridades oficiais) eram utilizados
nas eleições. Exemplos
mais comuns: fornecimentos de títulos
a menores de 21 anos e a analfabetos;
permissão para um eleitor votar
várias vezes; adulteração
de atas e urnas eleitorais; contagem
de votos de defuntos e muitas outras
artimanhas.
Caricatura
de Yantok. Revista Dom Quixote
Caricatura
ironizando as eleições
na
República Velha, onde até
defuntos
votavam.
Na
Comissão Verificadora, Pinheiro
Machado cuidava da “degola” dos
parlamentares não
afinados com
os
interesses das
oligarquias dominantes.
Revista
Dom Quixote, Â ngelo
Agostini
Caricatura
representando o presidente
Campos
Sales
e seu Ministro da
Fazenda
entregando
sacos de dinheiro a um banqueiro
inglês, como pagamento da
dívida
externa brasileira.
Na
prática,
a política exercida na jovem República
estava distante das leis escritas e dos
ideais democráticos. O voto não
era secreto. Mulheres, analfabetos e
menores de 21 anos não votavam.
Em compensação, todo um
imenso eleitorado fantasma, constituído
por nomes inventados, mortos “ressuscitados,” garantia
o sufrágio segundo a vontade da
reduzida elite que governava o país
(Nosso Século, vol. 2, p. 57,
Abril Cultural, São Paulo, 1985)
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