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Entre a submissão e a segregação.

Por Miguel Reis
Educador (Kolping COC /FARRP /SEC-Ba)

Hoje é 13 de maio, há 119 anos foi assinada pela então princesa do Brasil, a Senhora Isabel de Orleans e Bragança, a abolição da escravidão no país. Engana-se quem pensa que este ato acabou com a opressão e segregação do povo negro, trazido a força do seio da África; no máximo, esta data é um marco divisor entre a submissão oficial a que era submetida os trabalhadores escravos no Brasil e o afastamento destes das benesses sociais que sempre acudiram os abastados.

Se tomarmos como parâmetro o tratamento dado aos imigrantes europeus e orientais que substituíram a mão escrava, nos envergonharemos. Os afro-descendentes brasileiros são parte dos índices negativos quando o assunto é direitos humanos. Ao negro nada foi garantido no pós – abolição: emprego, educação, cidadania. Nada.

Quando hoje se fala de políticas públicas de reparação, é porque é notório o tratamento que é dado aos descendentes diretos daqueles africanos que foram trazidos nos porões de navios negreiros. É porque se ouve aqui e ali que o negro quando não suja na entrada, vai sujar na saída. É porque se percebe que no Brasil, pobreza tem cor. É porque até bem pouco tempo, o negro só aparecia na TV interpretando o não ser.

Há quem ainda enxovalhe universidades que tem nos seus critérios de seleção pública o sistema de cotas, e o mais impressionante é que estas mesmas pessoas não se espantem quando leia que um dentista negro morreu em São Paulo só porque foi confundido com um bandido.

- Deixa pra lá, seu sobrenome não era NARDONI. Suas feições fugiam dos padrões europeus. E sua presença nos ambientes mais requintados sempre incomodou.

A abolição da escravatura há muito foi escrita, mas, parafraseando Joaquim Nabuco,“permanecerá como característica nacional do Brasil”. Por ter este país emprestado sua bandeira aos traficantes de gente, deve-se, no mínimo, respeito à parte da população que traz a na pele a dor e delícia de ser negro.

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