Hoje é 13
de maio, há 119 anos foi assinada
pela então princesa do Brasil,
a Senhora Isabel de Orleans e Bragança,
a abolição da escravidão
no país. Engana-se quem pensa
que este ato acabou com a opressão
e segregação do povo
negro, trazido a força do seio
da África; no máximo,
esta data é um marco divisor
entre a submissão oficial a
que era submetida os trabalhadores
escravos no Brasil e o afastamento
destes das benesses sociais que sempre
acudiram os abastados.
Se
tomarmos como parâmetro o
tratamento dado aos imigrantes europeus
e orientais que substituíram
a mão escrava, nos envergonharemos.
Os afro-descendentes brasileiros são
parte dos índices negativos
quando o assunto é direitos
humanos. Ao negro nada foi garantido
no pós – abolição:
emprego, educação, cidadania.
Nada.
Quando
hoje se fala de políticas
públicas de reparação, é porque é notório
o tratamento que é dado aos
descendentes diretos daqueles africanos
que foram trazidos nos porões
de navios negreiros. É porque
se ouve aqui e ali que o negro quando
não suja na entrada, vai sujar
na saída. É porque se
percebe que no Brasil, pobreza tem
cor. É porque até bem
pouco tempo, o negro só aparecia
na TV interpretando o não ser.
Há quem ainda enxovalhe universidades
que tem nos seus critérios de
seleção pública
o sistema de cotas, e o mais impressionante é que
estas mesmas pessoas não se
espantem quando leia que um dentista
negro morreu em São Paulo só porque
foi confundido com um bandido.
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Deixa pra lá, seu sobrenome
não era NARDONI. Suas feições
fugiam dos padrões europeus.
E sua presença nos ambientes
mais requintados sempre incomodou.
A
abolição da escravatura
há muito foi escrita, mas, parafraseando
Joaquim Nabuco,“permanecerá como
característica nacional do Brasil”.
Por ter este país emprestado
sua bandeira aos traficantes de gente,
deve-se, no mínimo, respeito à parte
da população que traz
a na pele a dor e delícia de
ser negro.
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