Um dia precisei chegar até a casa de alguém,
mas como não sabia onde morava, perguntei para um
amigo em comum, no que ele procurou me orientar para que
eu chegasse lá:
—
Daqui você vai à Rua Deputado Antonio Brito,
entra na Antonio Rodrigues Pereira, passa pela José Ramiro
e na Coronel João Sá, depois na João
Paulo II e enfim você chega na Jonas Abreu!
Ufa! O que me chamou a atenção não
foi complexidade da informação geométrico-espacial,
mas por tanta gente estar envolvida nessa informação.
Nomes bonitos, para pessoas, não para ruas. E o
pior: muitos desses nomes são totalmente insignificantes
para a cidade. Quem foi fulano ou sicrano? Beltrano então,
nem pensar.
Ninguém sabe... E se não sabe, certamente é por
que essa gente nada significou para a cidade. Por outro
lado nomes de pessoas que foram de grande importância
para o país são ignorados, esquecidos. Por
exemplo, Mauá, o grande responsável pela
primeira industrialização do Brasil, fez
e trouxe para cá muito mais do que o próprio
governo, quase não aparece, mas o do presidente
Médici, terror da Ditadura Militar, responsável
pelo assassinato e sumiço de milhares de pessoas,
está nas ruas e entidades de todas as cidades...
Ou pior ainda, o nome de uma tal pessoa numa rua, só por
que em vida, essa pessoa foi o cunhado ou pai do vereador
que criou o projeto de lei.
Seria bem melhor botarmos nas ruas nomes mais animados,
como Rua Primavera, Rua Sabiá, sei lá....
Pelo menos não homenagearíamos corruptos
ou “famosos desconhecidos”, como o famoso não-sei-quem...
Como toda regra tem exceção, alguns nomes
de pessoas em ruas fazem jus ao feito, como Rui Barbosa,
João Paulo II, Irmã Dulce, Betinho... Mas
veja se aparecem!