Sempre ouvi dizer que a juventude é extraviada
e não quer nada, que se preocupa mais com os embalos
de sábado, domingos (e o do resto da semana) do
que com a própria vida. Uma frase proferida sobre
os jovens me chamou a atenção: “Essa
juventude está estragada até o fundo do coração.
Os jovens são malfeitores e preguiçosos.
Eles jamais serão como a juventude de antigamente.
A juventude de hoje não será capaz de manter
a nossa cultura”.
Será que quem disse isso o fez num momento de pessimismo,
de descrença momentânea? Ou realmente falou
com conhecimento de causa? Por falar nisso, qual é mesmo
a ideologia de vida da nossa juventude? O que ela espera
do mundo e o que o mundo espera dela?
A citação deixa claro que a juventude regrediu,
e quase diz que se depender da juventude não haverá esperança...
Mas afinal, quem disse isso? Quem é o autor da frase?
A primeira vista parece que se refere à juventude
de hoje, mas não é... A mensagem está escrita
em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia
(atual Bagdá), tem mais de 4000 anos de existência.
Ou seja, desde sempre o mundo reclama do jeito despojado
e irreverente dos mais jovens. São pessoas que estão
buscando um jeito próprio de ser e de pensar.
Isso não abona os erros de cada um, nem tampouco
dá espaço para todo jovem fazer o que dá na
telha em nome do seu jeito irreverente... E mais: tudo
o que foi dito e o que ainda não foi, não é desculpa
para nenhum jovem viver de baladas à noite e irreverência,
sem construir nada que preste, nada útil... Alguns
até dizem: “viver a vida porque a vida é curta”,
mas aí quem vai ficar “curtido” é tal
pessoa, uma vez que nada ou quase nada significará para
o mundo e para os outros, passará despercebida pela
própria vida.
Então, não é que a juventude é ou
não é, é isso ou é aquilo...
O importante é cada jovem fazer significar sua própria
vida, fazer valer a pena estar vivo, mesmo que não
consiga mudar o mundo, mas mudar a si mesmo para melhor.