Hoje,
a palavra de ordem em educação é QUALIDADE.
E essa qualidade perpassa principalmente
pelo compromisso, pela competência,
pela ética e pela responsabilidade
do profissional da educação.
A cada dia que passa, convenço-me
cada vez mais de que a qualidade dos
profissionais que temos reflete na
qualidade da educação
que oferecemos.
Atuo na área educacional pública há vinte e dois anos.
Toda minha formação educacional também ocorreu na rede
pública. E isso é motivo de orgulho para mim, pois mesmo os professores “leigos” transpiravam
compromisso e responsabilidade na árdua tarefa de lecionar, inclusive
em turmas multisseriadas, numa época em que recebiam salários
irrisórios, mas nem por isso desempenhavam sua função
de forma displicente e negligente, pelo contrário, davam o seu melhor,
pois tinham consciência que em suas mãos estavam projetos, sonhos
e desejos de dias melhores, e com certeza eles contribuíram para que
muitos destes projetos fossem alcançados, para que muitos destes sonhos
se tornassem reais na vida de muitos dos seus alunos, que tiveram suas perspectivas
de vida transformadas graças à educação de qualidade
recebida em bancos de prédios escolares sem nenhuma infra-estrutura,
onde os professores só podiam contar com “cuspe e giz”,
mas que souberam fazer a diferença, desempenhando suas funções
com compromisso.
Gostaria de deixar claro que o presente artigo não tem cunho exibicionista,
pois nunca tive fascinação pelos holofotes e nem tão pouco
conotação política partidária, uma vez que nunca
tive a pretensão de enveredar por esse caminho. A indignação
muitas vezes nos impulsiona a agir. E é ela que me faz redigir esse
artigo. O foco aqui é a qualidade da educação pública.
E como levantar essa bandeira, como vestir essa camisa, se presenciamos colegas,
ditos profissionais da educação, desempenhar suas funções
com negligência, displicência e irresponsabilidade? No final do
ano letivo isso se torna mais visível, pois por conta da pressa em ficarem
de férias antes do tempo previsto, atropelam o calendário e todo
o cronograma de atividades pré-definidas, cometendo diversas arbitrariedades,
provocando indignação em todos que procuramos desempenhar nossas
obrigações com compostura, seriedade e responsabilidade.
Esse tipo de postura irresponsável acaba refletindo no conceito da qualidade
da escola. E é bom lembrar que grandes escolas por terem ficado omissas
aos desmandos que nelas ocorriam, viram sua clientela migrar para outras escolas,
deixando muitos profissionais excedentes, sem terem a quem dar aulas. É o
chamado efeito bumerangue das nossas ações, que mais cedo ou
mais tarde acabam retornando para nós.
Que repensemos nossas ações e nossa postura como educadores,
pois não é mais concebível e nem aceitável fingir
que estamos cumprindo nossas responsabilidades enquanto professores, uma vez
que nossos alunos são os primeiros a perceberem a farsa e também
os primeiros a colocarem nossa atuação profissional em xeque.