Há quase
um mês, eu e mais alguns (alguns
mesmo!), resolvemos parar por um dia
de trabalho em solidariedade a todos
os profissionais da educação
pública brasileira. A paralisação
foi nacionalmente coordenada pela CNTE
(Confederação Nacional
dos Trabalhadores em Educação),
com o propósito de pressionar
o governo federal e em especial o Congresso
Nacional a incluírem no texto
do FUNDEB benefícios que envolvam
outros trabalhadores em educação
que não somente professores.
Tais “profissionais” como
zeladores, porteiros, secretários
escolares, coordenadores, diretores
ou gestores (pois sabe-se que muitos
estados já adotam o método
de concurso seguido de eleição
para esta função) e outros.
Contudo, percebo que tenho falta (legalmente
aplicada, diga-se de passagem) nesse
dia; após mais de uma década
na profissão, enfim a primeira
falta. Preocupo-me porque daqui para
a minha aposentadoria, se Deus permitir,
estaria com umas três faltas,
se continuar no mesmo ritmo – já pensou
no atraso?
Devo, portanto, pedir desculpas aos
meus patrões, por tentar lutar
pela educação.
Peço desculpas aos meus superiores
hierárquicos, por não
ter sido solidário a eles, indo
trabalhar.
Peço desculpas aos meus alunos,
por ter o compromisso de tê-los
avisado, antecipadamente, que não
iria trabalhar.
Peço desculpas aos meus colegas
professores que não pararam,
por não me sentir numa situação
tão cômoda, enquanto educador
brasileiro.
Peço desculpas a quem sente-se à vontade
para se apoderar dos microfones de
um meio de comunicação
em massa para afirmar que os professores
estão errados em reivindicar,
afinal não é esse o papel
da “imprensa”?
Peço desculpas ao mundo, por
ter que ser professor no Brasil.
Peço desculpas à minha
família e aos meus amigos, por
estar me prestando a este papel um
tanto quanto ridículo.
Peço desculpas aos meus colegas
e alunos de esporte, por estar prestes
a desistir.
Peço desculpas póstumas
ao meu pai que, certamente, nunca sonhou
que eu fosse professor.
Peço desculpas a mim, por perceber
que simplesmente não deu, apesar
de estar sempre lutando. Não
contra alguém, mas contra uma
cultura deseducada, formada por mais
de 180 milhões (inclusive eu)
de pessoas aparentemente satisfeitas
com a falta de seriedade no sistema.
Daí o grande Ziraldo dizer que “somos
todos um pouco corruptos.” Um
pouco?
Osvaldo
(comentário):
Essa é para
todos nós refletirmos
sobre o nosso verdadeiro papel
na sociedade... Sobre a educação
séria que tarda a acontecer
nesse país. Quero dizer que
"assino embaixo" na fala do meu colega
professor.