Neste
momento (4 de julho de 2008, às
8 da manhã), convido-os a uma
reflexão breve e importante,
pois assim considero-a.
Ainda ontem, citamos várias
vezes o termo cliente, quando nos reportamos
ao aluno.
A questão portanto surgiu: seria certo tratar o aluno como cliente?
Daí surgiram várias opiniões, o que é sempre ótimo
para a construção.
Naquele instante, expus meu ponto de vista, os presentes devem se lembrar!
Legalmente, pode-se chamar alunado de clientela sim. Porém, não
concordo com o termo. Acho-o inadequado e, porque não dizer, pejorativo!
Segundo Sérgio Ximenes, cliente é “quem se vale dos serviços
de um médico, advogado, uma empresa comercial; ele é um freguês, é quem
compra e paga por isso”. Não acho o termo apropriado para tratar
o aluno, mas respeito aquelas opiniões contrárias. Do mesmo modo
que exijo respeito à minha. Mas, mesmo aqueles que não a respeitarem,
não há problema algum. Presumo ser um direito.
O que ninguém tem o direito – sobretudo quando se trata de um
colega de trabalho – é de degradar a imagem do professor, apontando-o
como demagogo. Pois aproveito o próprio Ximenes para dizer que demagogo é “político
partidário que se utiliza da demagogia, ou seja, com atitude ou prática
que visa à exploração das paixões populares”,
inclusive com mentiras!
Não acredito que haja um número grande de professores que se
enquadre nesse patamar. Aliás, não acredito que professor de
verdade nele se enquadre. Bem como também não acredito que tenham
muitos que concordem comigo, quanto ao famoso termo cliente. Mas não
acho que dar tratamento vip ao aluno é trocar as mercadorias da prateleira
ou fazer promoção, liquidação, e sim, dar consistência
em suas aulas, para seu aluno, mais tarde sentir-se, pelo menos um pouco, mais
preparado para a vida, que certamente, não lhe será tão
bela e cheia de redomas.
Os políticos sim. Esses e alguns administradores escolares devem tratar
o aluno como cliente, pois eles significam cifras. E muitas cifras!
Quando eu quero mostrar que não quero tratar meu aluno assim, presto
um concurso em outra cidade, por exemplo, para não entrar por uma outra área
na minha própria e, simplesmente, receber o meu salário. É claro
que posso vir para cá, por não conseguir receber o auxílio-transporte
(sem dinheiro não dá pra viajar), mas não por comodidade.
Ou é mais fácil ainda. Chamo o meu aluno de estudante. Se ele
não estiver se portando assim, dou sugestões para que se torne
tal. Aí sim, temos um termo mui digno: estudante!
Então, caros colegas (não vou usar nobres para não parecer
político), não usemos palavras como demagogo e outras similares
para a categoria. Ah, isso eu peço encarecidamente! Deixem isso para
os que temem a presença do professor na sociedade, porque ser mestre é ser
elite. E nós somos!
Agradeço a atenção e tenhamos bons dias!
Ribeira
do Pombal, BA, 04 de julho de 2008.