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Carta aos docentes pombalenses

Em ano de eleição, a ética tem que prevalecer....

Por Songival Celestino

Quero aqui me reportar aos meus caríssimos colegas professores de Ribeira do Pombal. Logo, tenho um pedido bastante especial a todos aqueles que, como educadores de verdade que têm tentado ser – independente da sociedade ter permitido ou não tal façanha (pois educar transformou-se numa façanha). Sim, um pedido para os que são professores e não para aqueles que o estão sendo, pelo salário (ainda que seja mísero) ou por conveniência, mas sem o mínimo compromisso com uma verdadeira educação e que, diga-se de passagem, acabam por denegrir a imagem dos profissionais colaboradores para um país melhor, mais educado, que felizmente, é a maioria. Maioria essa que me deixa feliz e de bem com a vida enquanto pensador sobre educação.

Porém, um professor preocupado. E o meu recado traz essa preocupação.

Peço a meus colegas de árduas e longas horas de “batalha” que lembremos todos: estamos iniciando 2008, ano de eleições municipais. Ano em que tudo é diferente. Ano em que políticos incompetentes tentam arranjar um bom motivo para se aproximar de pessoas de bem. Ano em que mentir é um luxo só. Ano em que ferir a Constituição Federal é comum. Ano de bate-bocas fervorosos e ofensivos. Ano de confirmação de perseguições políticas (muitas ocorridas por vários anos). Ano de busca de auto-afirmação para muitos. Ano de “enrolar e de ser enrolado” por promessas estapafúdias. Ano de interesses escusos por trás do que se diz, por vezes. Ano de se preocupar em quem será o “novo” prefeito eleito, em outubro – se é que se pode chamar de novo.

Então, peço a todos que reflitam, para o nosso bem. Vamos agir com compromisso. Compromisso firmado no juramento quando da nossa formatura: a preocupação com o social. E olha que a nossa sociedade é carente (e muito) de seriedade!

É natural observarmos todos preocupados com o executivo, mas há um ponto importante nisso tudo: falta a séria preocupação com o poder legislativo. São os vereadores quem votam as leis municipais, são eles quem, de fato, devem nos representar, são eles quem devem falar por nós e não contra nós – aliás, como é de costume. Daí, em vez de nos preocuparmos com quem deve ser eleito prefeito em outubro de 2008, devemos nos preocupar com quem serão os nossos representantes que, inclusive, agora serão dez. Pois, será que se tivéssemos representantes preocupados com o social, em especial com a educação, teríamos direitos (vantagens pecuniárias) cassados por eles mesmos? Será que se tivéssemos representantes preocupados com a educação, teríamos salários tão baixos, se o município tem condição de dar um reajuste menos injusto para os professores que ajudam a educar os seus próprios filhos, como é o caso de muitos que mantêm seus filhos estudando na cidade? Se tivéssemos representantes preocupados com a educação, teríamos tão pouco tempo dedicado a essa área nas assembléias de quintas-feiras? Será que se tivéssemos representantes preocupados com a educação, teríamos homens na Câmara colocando a sua devoção a um prefeito acima de um quesito tão importante para o desenvolvimento de qualquer lugar? Será que tais afirmações fazem parte só de um período da nosso contexto político? Será que alguém realmente já foi empossado vereador de Ribeira do Pombal e colocou como bandeira do seu mandato a educação? Reflitamos, colegas!

Milton Santos já dizia:”professor não deve ter partido político, isso pode comprometer a força dos seus ideais.” Portanto, o meu pedido é que, para o nosso bem, independente de partido político, pensemos em transformar professores em representantes legítimos da educação no cenário político do nosso município. Ou, pelo menos, pessoas com as quais possamos firmar compromissos sociais – e termos mecanismos para cobrar depois. Daí a necessidade de escolhermos nomes novos para a Câmara Municipal. Não esqueçamos, se tivermos bons vereadores, teremos, sem dúvida, bom prefeito.

Se, “em tudo na vida há uma conotação política”, segundo Paulo Freire, façamos da política uma alavanca para elevar a qualidade da educação do nosso município e não permitamos o contrário. Somos um exército. Só precisamos unir forças para a organização da luta que, tenho certeza, será eterna, e já começou, mas estamos perdendo, por não termos agido ainda. Ainda há tempo. Iniciemos o ano agora, pensando, para agir certo!




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